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Livros da Mãe

Uma tradutora partilha o que anda a ler

Livros da Mãe

Uma tradutora partilha o que anda a ler

25
Mai19

Seis Graus de Separação - Maio 2019

Rita

A ideia é simples e vem do blog Books are My Favourite and Best. No primeiro sábado de cada mês, a autora do blog escolhe um livro como ponto de partida e liga depois cinco outros para criar uma cadeia de seis livros. Não há nenhuma regra acerca de como ligar os livros e é sempre muito interessante ver como cada um constrói a sua cadeia com livros completamente diferentes. Para além disso, é uma óptima forma de conhecer livros novos 

 

O livro escolhido para iniciar a cadeia este mês foi o policial australiano "The Dry". Começo então a minha cadeia com a edição portuguesa:

 

1) A Seca - Jane Harper (Austrália)

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Li-o em 2017 e é um dos meus livros favoritos dentro do género. Falando em policiais passados em climas quentes ...

 

2) Ladrão de Cadáveres - Patrícia Melo (Brasil)

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Lembrei-me deste policial sobre o qual já escrevi aqui no blog. A acção passa-se em pleno Pantanal brasileiro, o que me lembrou a Amazónia...

 

3) O Velho que Lia Romances de Amor - Luis Sepúlveda (Chile)

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E um dos meus livros favoritos. Continuo a emocionar-me cada vez que leio a história do velho, a viver isolado em plena selva amazónica com os seus romances de amor. Falando em idosos que nos cativam com as suas histórias...

 

4) O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu - Jonas Jonasson (Suécia)

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Lembrei-me das divertidas peripécias deste centenário sueco. Um livro bem leve e que se lê num instantinho. Falando em cem anos...

 

5) Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez (Colômbia)

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Lembrei-me do livro favorito de muitos - a saga da família Buendía. Gostei de o ler embora várias vezes desse por mim a pensar que devia ter feito uma árvore genealógica das personagens para não me perder... Falando em seguir o rumo de várias gerações de uma família leva-me ao último livro da cadeia...

 

6) Nós, os Afogados - Carsten Jensen (Dinamarca)

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E com esta saga familiar dinamarquesa termino a cadeia do mês de Maio.

 

Não é necessário haver um fio condutor na cadeia mas ao olhar para os livros vejo que o tema das famílias está muito presente. Começamos a tentar perceber quem assassinou a família Hadler no interior australiano e acabamos a seguir várias gerações da mesma família de marinheiros dinamarqueses.

 

Em Junho a cadeia vai iniciar com o livro "Murmur" de Will Eaves (ainda sem edição em português).

23
Mai19

Educar para o Futuro

Rita

The Montessori Toddler - Simone Davies

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(Imagem The Frenchie Mummy)

 

Este bonito livro (ainda sem edição portuguesa) descreve de uma forma prática o método Montessori. Nos 10 capítulos do livro, encontram-se muitas dicas para implementar estes princípios não só na nossa interação com crianças mas também na nossa própria casa. A autora Simone Davies é a fundadora desta creche Montessori em Amesterdão.

 

Normalmente não aprecio livros acerca de como educar crianças. Acredito que cada família tem a sua realidade e, como tal, terá também o "seu" método de funcionar. Acho que aprendemos mais estando atentos às nossas dinâmicas familiares e após essa observação, irmos ajustando o que sentimos que tem de ser melhorado. Acredito também em trocar experiências com outros pais à nossa volta e em procurar ajuda especializada quando nos deparamos com situações que ultrapassam as nossas capacidades. Um especialista olhará para a nossa situação única e poderá fazer toda a diferença na resolução do problema. Agora um livro com uma fórmula mágica "one size fits all" para todas as famílias... Tenho as minhas dúvidas.

 

Dito isto... Iniciei a leitura um pouco renitente mas gostei imenso de ler este livro. Não procuro um método de educação para seguir exclusivamente mas tirei daqui imensas ideias que estão a funcionar muito bem para nós. As dicas são, no fundo, pequenos apontamentos do dia-a-dia. Detalhes pequenos que muitas vezes nos escapam. No entanto, sinto que estas pequenas adaptações à nossa rotina estão a trazer resultados muito positivos.

 

Uma ideia transversal no método Montessori é a de criar crianças independentes e confiantes. No fundo, criarmos adultos que poderão contribuir positivamente para o nosso planeta. Não serão obrigatoriamente os que tirarão as melhores notas na escola ou os que ganharão mais dinheiro. Serão sim (esperamos nós) cidadãos independentes, empáticos, resilientes e interessados no mundo à sua volta. Acho que este livro dá algumas ideias interessantes para nos ajudar nessa difícil tarefa.

 

Para quem quiser mais informações acerca deste método, a autora fala aqui acerca dele e aqui mostra como preparar um espaço de acordo com os princípios Montessori.

 

Ofereceria este livro a: todos os pais de crianças pequenas

03
Mai19

A Temperatura dos Livros

Rita

Ladrão de Cadáveres - Patrícia Melo

 

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Este policial brasileiro inicia-se em São Paulo, onde seguimos um gerente de telemarketing que é implicado no suicídio de uma colega de trabalho. Abatido com a situação e sem rumo, decide trocar a mega cidade por Corumbá, perto da fronteira com a Bolívia. Um dia, ao passear à beira do rio Paraguai, testemunha a queda de um monomotor. Na mochila do jovem piloto encontra uma grande quantidade de droga. Embora tente, inicialmente, ajudar o piloto a sair do avião acidentado, as coisas acabam por tomar um outro rumo e um plano macabro começa a ser delineado...

 

Já dizia o provérbio que "a ocasião faz o ladrão" e os livros da Patrícia Melo deixam-nos a pensar acerca da luz e da sombra existente em todos nós. Todos eles têm um humor muito negro e muito característico dela. Não será do gosto de todos mas eu, pessoalmente, gosto muito.

 

Todos eles são incómodos como uma pedrinha no sapato. Deixam-nos a pensar em como somos todos boas pessoas mas certas situações na nossa vida, acabam por nos levar a ter atitudes que nunca pensaríamos ter. 

 

No entanto, quando acabei este livro, dei por mim a pensar na importância da temperatura nos livros... Eu associo os policiais automaticamente ao Inverno. A ação de muitos deles passa-se nos meses mais frios do ano, no hemisfério norte e também são mais lidos nessa altura do ano. Sinto que fiz uma ligação entre a falta de luz, o conforto de um esconderijo de leitura e ler acerca do que há de mais escuro dentro de nós.

 

No entanto, aqui estamos em pleno Pantanal brasileiro. E é aqui que este livro se distingue dos outros policiais que encontramos nas estantes das livrarias portuguesas. A ação desenrola-se sob um calor abrasador e uma luz intensa sob a qual não se pode esconder nada. Embora não seja um daqueles policiais em que procuramos um assassino ou até perceber a motivação por trás de um crime, a autora faz um trabalho incrível a criar um clima tão claustrofóbico e negro sob a luz inclemente do interior brasileiro que não fica a dever nada a um assassínio nas profundezas da neve de um qualquer país escandinavo...

 

Gostei da leitura mas o "Elogio da Mentira" continua a ser o meu livro preferido dela e o que recomendaria a quem quiser conhecer a grande senhora dos policiais brasileiros.

 

Ofereceria este livro a: um leitor à procura de um policial "fora da caixa".