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Livros da Mãe

Uma tradutora partilha o que anda a ler

Livros da Mãe

Uma tradutora partilha o que anda a ler

28
Fev19

Mulher, mãe e ... fotógrafa de guerra

Rita

É Isto que Eu Faço - Lynsey Addario

 

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(Fotografia Lynsey Addario, Basra, Iraque, 2003)

 

Normalmente gosto de iniciar os posts com a imagem da capa do livro que li mas, neste caso, quis deixar as fotografias da autora falarem por ela.

 

O livro "É Isto que Eu Faço" é a biografia da fotógrafa de guerra americana, Lynsey Addario. Ela começa por falar acerca de alguns episódios engraçados da sua infância e início de idade adulta e de como estes a levaram até à fotografia. 

 

Acompanhamos algumas das suas primeiras experiências internacionais e de como a sua vida muda quando acontecem os atentados de 11 de Setembro. Se até aí o seu trabalho era internacional mas não obrigatoriamente de guerra, a partir desta altura, ela começa a dedicar-se a fotografar os conflitos e as vidas humanas por trás destes no Afeganistão, Iraque, Líbia, República Democrática do Congo, Sudão... Acompanhamos também as duas vezes em que foi raptada e outras situações perigosas que ela viveu.

 

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(Fotografia Lynsey Addario, Kandahar, Afeganistão, 2001)

 

Esta fotografia que ela tirou a apoiantes do regime dos Talibans no Afeganistão aquando do início dos bombardeamentos americanos simboliza muitos dos episódios contados no livro. 

 

A forma como este grupo de homens olha para ela ... Espantados, surpreendidos, curiosos, zangados... Ela era quase sempre a única mulher no local onde estava a fotografar e muitas vezes teve que enfrentar situações complicadas apenas por ser mulher. (Nota: O Afeganistão do tempo dos Talibans não foi, surpreendentemente, o local mais difícil onde ela trabalhou.) Ao lermos este livro, ganhamos um respeito muito maior pelo trabalho das mulheres fotógrafas e jornalistas, que trabalham em condições difíceis para nos mostrarem o que anda a acontecer bem longe de nossa casa e da nossa realidade.

 

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(Fotografia Lynsey Addario, Darfur, Sudão, 2004)

 

Como mãe, gostei de ler acerca da experiência dela a conjugar a maternidade e uma profissão que a maior parte de nós não associa a casamento/ filhos. Fiquei um pouco triste ao ler comentários de leitores que a acusavam de ser egoísta porque não tinha abdicado desta carreira quando tinha começado a criar uma família. Há tantas formas de ser mãe e esta é apenas mais uma delas. A sua experiência como mulher e mãe dá-lhe um olhar diferente quando está a fotografar e, para mim, isso é único. 

 

Este livro foi uma combinação perfeita para mim - gostei muito da história e também de conhecer o trabalho fotográfico dela. Foi muito interessante ter este apoio visual à medida que ia avançando no livro.

 

Para quem quiser conhecer melhor a trabalho dela:

 

Portfolio

 

 

Ofereceria este livro a: leitores que queiram ter uma perspetiva mais humana de questões internacionais, interessados em jornalismo/ fotojornalismo.

 

20
Fev19

A Difícil Arte de Pedir

Rita

"The Art of Asking" - Amanda Palmer

 

Quando andava à procura de um livro de uma autora feminina para o desafio Uma Dúzia de Livros, encontrei este na minha lista de livros a ler e pareceu-me a leitura certa para o desafio.

 

Este livro (ainda sem edição portuguesa) é baseado numa palestra TED que a autora deu em 2013 e que se tornou viral. Nela a artista americana Amanda Palmer fala acerca da importância de sabermos pedir. Durante o livro ela conta episódios engraçados da sua carreira em que ela pediu ajuda aos fãs/ ao público de um dos seus concertos/ a amigos/ a amigos de amigos... para conseguir chegar a um objetivo e de todas as coisas fantásticas que saíram desta interação com o outro.

 

No entanto, para mim, o melhor neste livro acabou por nem ser toda a questão do saber pedir/ saber dar/ saber receber. O ponto de vista da autora é muito interessante mas eu acho que ela já cobre todos esses pontos na palestra TED.

 

Para mim as ideias que mais me marcaram neste livro foram as reflexões que a autora fez acerca de partilhar as nossas criações com o mundo. A autora tem um conceito bastante abrangente acerca do que é arte e eu estou 100% de acordo com ela. Nunca foi tão fácil criar os nossos próprios projetos criativos e partilhá-los com o mundo todo. No entanto, acho que também os criadores nunca receberam tanto feedback negativo e destrutivo como nos dias de hoje. Para algumas pessoas, esta avalache de julgamentos vindos das redes sociais acerca do seu trabalho ou mesmo acerca da sua pessoa, pode ser suficiente para levá-la a não querer partilhar mais o seu trabalho com o mundo.

 

A autora não oferece nenhuma solução mágica para lidar com a crítica mas ao partilhar a forma como a encara, como ela se sentiu neste tipo de situações e e as estratégias que ela usa para criar algo positivo e construtivo a partir de feedback que muitas vezes só tinha a intenção de magoar, motiva-nos a todos a persistir em partilhar as nossas criações com o mundo lá fora.

 

 

Ofereceria este livro a: todos os que criam conteúdo e o disponibilizam ao público, todos os que têm medo de partilhar as suas criações com os outros

13
Fev19

Too little information and you're blind, too much and you're blinded

Rita

The Seven Deaths of Evelyn Hardcastle - Stuart Turton

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(Imagem: Blog Un Jour Un Livre / Instagram Un Jour Un Livre)

 

Neste livro seguimos a história de Aiden Bishop que acorda certo dia no corpo do médico Sebastian Bell, na mansão da família Hardcastle, Inglaterra dos anos 20. Nesse mesmo dia, a família Hardcastle tinha juntado vários convidados para celebrar o regresso da sua filha Evelyn, após vários anos no estrangeiro.

 

Após a confusão inicial, Aiden percebe que acordou nesse dia, nesse corpo que não é seu, com uma missão - descobrir até às 23:00 quem irá assassinar Evelyn. Se não o conseguir fazer, irá adormecer e acordar no dia seguinte no corpo de outro convidado da festa, reviver este mesmo dia e tentar novamente descobrir quem é o responsável pelo assassinato. E assim sucessivamente durante 8 dias/ 8 "anfitriões" diferentes.

 

Começamos então a acompanhar Aiden na sua viagem pelos diferentes corpos, a travar as batalhas de cada um e a tentar resolver o mistério, usando os pontos fortes e fracos de cada um dos seus "anfitriões".

 

A premissa é original e ao mesmo tempo um pouco nostálgica porque parece que nos transporta de novo para um livro de Agatha Christie. Pelo resumo que acabei de fazer, poderia parecer um livro mais a puxar para a ficção científica mas este livro é um policial com um ambiente muito similar aos de Agatha Christie.

 

Li as 500 e tal páginas do livro rapidamente, sempre a tentar adivinhar quem eram os responsáveis pelo assassinato e pelos outros pequenos mistérios paralelos que iam aparecendo à medida que a história avançava. Posso dizer que todas as minhas teorias estavam erradas  e que só na última página (literalmente) é que se consegue desenrolar esta enorme teia.

 

Voltando ao título do post (a minha frase favorita deste livro) - com tantas personagens e tanta informação, tudo isto poderia ser simplesmente demais. A informação em demasia poderia bloquear a nossa capacidade de entrar na história e nos relacionarmos com aquelas personagens. No entanto, não foi o caso. Gostei de conhecer todas as personagens que Aiden "encarnou". Todas tão diferentes, todas a contribuírem à sua maneira para encontrar a resposta às perguntas que o livro nos coloca.

 

O fim foi, por vários motivos, uma boa surpresa. Sinto que em muitos policiais, a resolução do assassinato aparece atabalhoadamente no fim, uma explicação não muito coerente para o porquê daquele acontecimento. Neste livro, à medida que vamos desvendando as várias pontas soltas do enredo, tudo encaixa bem, tudo faz sentido, tudo é revelado no momento certo.

 

Em suma: um policial como nunca tinha lido, uma grande leitura e um livro que tenho a certeza que também vai ter enorme sucesso quando for publicado em Portugal.

 

Ofereceria este livro a: toda a gente, para ser sincera... 

06
Fev19

Pequenos Leitores

Rita

Boa Viagem Bebé! - Beatrice Alemagna

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Este pequeno livro conta a história de um bebé que prepara uma grande "viagem" e tem sido a nossa leitura noturna esta semana.


O público-alvo está a gostar muito de o ver e de interagir com todas as ilustrações ;-)


Já a leitora está a gostar muito desta leitura a dois e desta bonita rotina antes de ir dormir 

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Recomendaria este livro a: todos os que procuram um livro para oferecer a uma criança pequena (< 2 anos)