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Livros da Mãe

Uma tradutora partilha o que anda a ler

Livros da Mãe

Uma tradutora partilha o que anda a ler

05
Jul19

Seis Graus de Separação - Julho 2019

Rita

A ideia é simples e vem do blog australiano Books are My Favourite and Best. No primeiro sábado de cada mês, a autora do blog escolhe um livro como ponto de partida e liga depois cinco outros para criar uma cadeia de seis livros. Não há nenhuma regra acerca de como cada participante deve ligar os livros e é sempre muito interessante ver como cada um constrói a sua cadeia com livros completamente diferentes.

 

O livro escolhido para iniciar a cadeia este mês foi o clássico da literatura infantil Onde Vivem os Monstros de Maurice Sendak.

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Trouxe este livro da biblioteca há alguns meses. Tinha algumas expectativas visto que é um livro marcante da infância de tantos americanos da minha geração. No entanto e para grande tristeza minha... Não era para mim. Não gostei particularmente e acho que o público-alvo aqui em casa também não. O que me leva a um livro (mais de literatura juvenil do que infantil) que marcou a pré-adolescência de muitos portugueses e brasileiros da minha geração...

 

2) O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos

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Como chorei a lê-lo...  O primeiro livro "a sério" que me lembro de ler e discutir em grande detalhe com as minhas amigas de escola. Falando em crianças a discutir como adultos...

 

3) Toda a Mafalda - Quino

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Li as tiras completas da Mafalda e do seu grupo de amigos na mesma altura do livro acima. Tantos anos depois, este livro continua a ter um lugar de destaque na minha estante. A Argentina é a pátria de tantos ilustradores que admiro, outro dos quais sendo...

 

4) Aquário - Cynthia Alonso

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Num estilo muito diferente do de Quino, a autora Cynthia Alonso apresenta-nos através das suas bonitas ilustrações, e sem recurso a texto, uma história de amizade entre uma menina e um peixe. Falando em amizades...

 

5) Chocolate à Chuva - Alice Vieira

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É um tema recorrente nos livros da Alice Vieira. Li durante a minha pré-adolescência todos os que ela tinha publicado até à altura e este ficou-me na memória como o que gostei mais. Espero um dia partilhar estes livros da Alice Vieira com a minha filha e que ela passe tardes tão felizes com eles como eu passei. Falando em livros preferidos...

 

6) A Lua - Britta Teckentrup

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Fecho com o livro que mais gosto da estante da minha filha. As ilustrações são fantásticas mas gosto, acima de tudo, de todo o cuidado que foi tido com a tradução. É um daqueles livros que dá gosto de ver e de ler (em voz alta). 

 

Julho é um mês em que dou muitas vezes por mim a pensar no passado e em raízes. Foi divertido voltar ao passado com estes livros. Foi também bonito fazer a ponte para os dias de hoje com os livros que agora me acompanham no meu percurso de mãe.

27
Jun19

Criar uma nova vida lá fora

Rita

Brooklyn - Colm Tóibín

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Com uma viagem à Irlanda no horizonte, andava à procura de um livro irlandês para ler. Depois de andar a namorar alguns clássicos (e a Irlanda deu tantos à literatura mundial), a minha escolha recaiu sobre um livro bem mais leve - "Brooklyn" do autor Colm Tóibín.

 

O livro foi adaptado em 2015 para o grande ecrã mas eu ainda não o vi. Estou bastante curiosa e agora, após ler o livro, com as expectativas bem altas! Não só por ter gostado tanto do livro (5 estrelas no Goodreads) mas também pelo facto de o responsável pela adaptação do livro para o cinema ser o escritor Nick Hornby, de quem eu tanto gosto. 

 

"Brooklyn" passa-se durante os anos 50 e conta a história de Eilis Lacey, uma jovem de uma pequena cidade irlandesa. Terminada a escola secundária, Eilis não encontra trabalho e prepara-se para uma vida sem grandes ambições. Por intermédio da irmã mais velha, ela é convidada para ir viver para os Estados Unidos. Sozinha e cheia de saudades de casa, ela começa a construir a sua nova vida em Nova Iorque. No entanto, quando a vida em Brooklyn está finalmente a entrar nos eixos, um evento trágico obriga-a a regressar temporariamente à Irlanda. 

 

A Eilis que deixou a Irlanda e a Eilis que regressa depois a casa são pessoas muito diferentes. Como poderiam não ser? Estando de novo em casa e pressionada para não regressar a Brooklyn, deverá ela escolher a nova vida que criou com tanto custo em Nova Iorque ou a sua antiga vida na pequena cidade de Enniscorthy?

 

Gostei imenso da prosa do autor, da forma como ele construiu as personagens e também como ele conseguiu recriar o ambiente dos anos 50.

 

Gostei também de voltar a ser transplantada para o momento em que, com a mesma idade de Eilis, sai de Portugal para estudar e trabalhar noutro país. Por causa da idade, a história da nossa emigração é também a história de como nos tornámos mulheres.  50 anos separam a minha experiência da de Eilis mas há experiências que são, de facto, intemporais e transcendem culturas.

 

Ofereceria este livro a: leitores que vivem longe das suas raízes

08
Jun19

Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos

Rita

Drive Your Plow Over the Bones of the Dead - Olga Tokarczuk

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O desafio do clube "Uma Dúzia de Livros" deste mês era lermos um livro de um sítio que não conhecemos - um local que não existe, um sítio inalcançável, um país que ainda não visitámos. A minha escolha levou-me à Polónia, país que espero um dia conhecer.

 

A autora Olga Tokarzcuk ganhou o Man Booker Prize no ano passado para o melhor livro traduzido para Inglês. O livro premiado chama-se "Viagens" e foi editado em Portugal pela Cavalo de Ferro. Este ano, a autora voltou a ser nomeada para o mesmo prémio mas com este livro. Como ainda não tem edição portuguesa, li a inglesa mas gostava muito de ter tido a oportunidade de o ler em português.   

 

Neste livro seguimos um ano da vida de Janina Duszejko, uma antiga engenheira que vive agora uma vida simples numa aldeia isolada do sul da Polónia. É uma mulher excêntrica, de opiniões fortes e a sua forma de estar causa bastante desconforto aos vizinhos. Para além de dar aulas de Inglês às crianças da aldeia, ela passa os duros Invernos da região a traduzir poemas de William Blake (o título do livro é retirado de um poema dele) juntamente com um dos seus antigos alunos. No início do livro, um dos seus vizinhos aparece morto. Este vizinho era caçador e pouco depois, outros caçadores do mesmo grupo começam a aparecer mortos também. Tentamos então perceber o que se está a passar na aldeia, enquanto a autora nos vai deixando a pensar acerca da relação de todos nós com os animais e com o meio ambiente.

 

O livro não me "abriu" os olhos para este tipo de questões porque já reflito acerca delas no dia-a-dia. É por este motivo que sou vegetariana há mais de dez anos. Ele deixou-me a pensar numa questão diferente. Sem querer revelar demasiado da história, algumas cenas do livro fizeram-me pensar acerca dos limites da defesa de algo que acreditamos ser justo. A partir de que ponto é que eu deixo de ver a humanidade nos outros porque eles acreditam em algo que eu não acredito? (Atire a primeira pedra quem nunca sentiu isto acerca daquelas pessoas que votam nos Trumps e Bolsonaros deste mundo ou acerca daquelas pessoas que defendem as touradas...)

 

Gostei muito desta leitura. A excêntrica Janina é uma daquelas narradoras de quem me vou lembrar com carinho durante muito tempo. As perguntas que o livro me obrigou a colocar não foram sempre agradáveis mas foi uma reflexão importante. Se a Cavalo de Ferro o traduzir para Português, irei certamente comprar uma quantas cópias para oferecer... 

25
Mai19

Seis Graus de Separação - Maio 2019

Rita

A ideia é simples e vem do blog Books are My Favourite and Best. No primeiro sábado de cada mês, a autora do blog escolhe um livro como ponto de partida e liga depois cinco outros para criar uma cadeia de seis livros. Não há nenhuma regra acerca de como ligar os livros e é sempre muito interessante ver como cada um constrói a sua cadeia com livros completamente diferentes. Para além disso, é uma óptima forma de conhecer livros novos 

 

O livro escolhido para iniciar a cadeia este mês foi o policial australiano "The Dry". Começo então a minha cadeia com a edição portuguesa:

 

1) A Seca - Jane Harper (Austrália)

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Li-o em 2017 e é um dos meus livros favoritos dentro do género. Falando em policiais passados em climas quentes ...

 

2) Ladrão de Cadáveres - Patrícia Melo (Brasil)

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Lembrei-me deste policial sobre o qual já escrevi aqui no blog. A acção passa-se em pleno Pantanal brasileiro, o que me lembrou a Amazónia...

 

3) O Velho que Lia Romances de Amor - Luis Sepúlveda (Chile)

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E um dos meus livros favoritos. Continuo a emocionar-me cada vez que leio a história do velho, a viver isolado em plena selva amazónica com os seus romances de amor. Falando em idosos que nos cativam com as suas histórias...

 

4) O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu - Jonas Jonasson (Suécia)

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Lembrei-me das divertidas peripécias deste centenário sueco. Um livro bem leve e que se lê num instantinho. Falando em cem anos...

 

5) Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez (Colômbia)

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Lembrei-me do livro favorito de muitos - a saga da família Buendía. Gostei de o ler embora várias vezes desse por mim a pensar que devia ter feito uma árvore genealógica das personagens para não me perder... Falando em seguir o rumo de várias gerações de uma família leva-me ao último livro da cadeia...

 

6) Nós, os Afogados - Carsten Jensen (Dinamarca)

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E com esta saga familiar dinamarquesa termino a cadeia do mês de Maio.

 

Não é necessário haver um fio condutor na cadeia mas ao olhar para os livros vejo que o tema das famílias está muito presente. Começamos a tentar perceber quem assassinou a família Hadler no interior australiano e acabamos a seguir várias gerações da mesma família de marinheiros dinamarqueses.

 

Em Junho a cadeia vai iniciar com o livro "Murmur" de Will Eaves (ainda sem edição em português).

23
Mai19

Educar para o Futuro

Rita

The Montessori Toddler - Simone Davies

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(Imagem The Frenchie Mummy)

 

Este bonito livro (ainda sem edição portuguesa) descreve de uma forma prática o método Montessori. Nos 10 capítulos do livro, encontram-se muitas dicas para implementar estes princípios não só na nossa interação com crianças mas também na nossa própria casa. A autora Simone Davies é a fundadora desta creche Montessori em Amesterdão.

 

Normalmente não aprecio livros acerca de como educar crianças. Acredito que cada família tem a sua realidade e, como tal, terá também o "seu" método de funcionar. Acho que aprendemos mais estando atentos às nossas dinâmicas familiares e após essa observação, irmos ajustando o que sentimos que tem de ser melhorado. Acredito também em trocar experiências com outros pais à nossa volta e em procurar ajuda especializada quando nos deparamos com situações que ultrapassam as nossas capacidades. Um especialista olhará para a nossa situação única e poderá fazer toda a diferença na resolução do problema. Agora um livro com uma fórmula mágica "one size fits all" para todas as famílias... Tenho as minhas dúvidas.

 

Dito isto... Iniciei a leitura um pouco renitente mas gostei imenso de ler este livro. Não procuro um método de educação para seguir exclusivamente mas tirei daqui imensas ideias que estão a funcionar muito bem para nós. As dicas são, no fundo, pequenos apontamentos do dia-a-dia. Detalhes pequenos que muitas vezes nos escapam. No entanto, sinto que estas pequenas adaptações à nossa rotina estão a trazer resultados muito positivos.

 

Uma ideia transversal no método Montessori é a de criar crianças independentes e confiantes. No fundo, criarmos adultos que poderão contribuir positivamente para o nosso planeta. Não serão obrigatoriamente os que tirarão as melhores notas na escola ou os que ganharão mais dinheiro. Serão sim (esperamos nós) cidadãos independentes, empáticos, resilientes e interessados no mundo à sua volta. Acho que este livro dá algumas ideias interessantes para nos ajudar nessa difícil tarefa.

 

Para quem quiser mais informações acerca deste método, a autora fala aqui acerca dele e aqui mostra como preparar um espaço de acordo com os princípios Montessori.

 

Ofereceria este livro a: todos os pais de crianças pequenas

03
Mai19

A Temperatura dos Livros

Rita

Ladrão de Cadáveres - Patrícia Melo

 

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Este policial brasileiro inicia-se em São Paulo, onde seguimos um gerente de telemarketing que é implicado no suicídio de uma colega de trabalho. Abatido com a situação e sem rumo, decide trocar a mega cidade por Corumbá, perto da fronteira com a Bolívia. Um dia, ao passear à beira do rio Paraguai, testemunha a queda de um monomotor. Na mochila do jovem piloto encontra uma grande quantidade de droga. Embora tente, inicialmente, ajudar o piloto a sair do avião acidentado, as coisas acabam por tomar um outro rumo e um plano macabro começa a ser delineado...

 

Já dizia o provérbio que "a ocasião faz o ladrão" e os livros da Patrícia Melo deixam-nos a pensar acerca da luz e da sombra existente em todos nós. Todos eles têm um humor muito negro e muito característico dela. Não será do gosto de todos mas eu, pessoalmente, gosto muito.

 

Todos eles são incómodos como uma pedrinha no sapato. Deixam-nos a pensar em como somos todos boas pessoas mas certas situações na nossa vida, acabam por nos levar a ter atitudes que nunca pensaríamos ter. 

 

No entanto, quando acabei este livro, dei por mim a pensar na importância da temperatura nos livros... Eu associo os policiais automaticamente ao Inverno. A ação de muitos deles passa-se nos meses mais frios do ano, no hemisfério norte e também são mais lidos nessa altura do ano. Sinto que fiz uma ligação entre a falta de luz, o conforto de um esconderijo de leitura e ler acerca do que há de mais escuro dentro de nós.

 

No entanto, aqui estamos em pleno Pantanal brasileiro. E é aqui que este livro se distingue dos outros policiais que encontramos nas estantes das livrarias portuguesas. A ação desenrola-se sob um calor abrasador e uma luz intensa sob a qual não se pode esconder nada. Embora não seja um daqueles policiais em que procuramos um assassino ou até perceber a motivação por trás de um crime, a autora faz um trabalho incrível a criar um clima tão claustrofóbico e negro sob a luz inclemente do interior brasileiro que não fica a dever nada a um assassínio nas profundezas da neve de um qualquer país escandinavo...

 

Gostei da leitura mas o "Elogio da Mentira" continua a ser o meu livro preferido dela e o que recomendaria a quem quiser conhecer a grande senhora dos policiais brasileiros.

 

Ofereceria este livro a: um leitor à procura de um policial "fora da caixa".

26
Abr19

"Antes de 25 de Abril de 1974, calavam-se os livros para calar a voz da liberdade"

Rita

A montra da livraria do meu bairro ontem com alguns dos autos de apreensão de livros que receberam antes do 25 de Abril.

 

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Os livros na montra eram os que tanto incomodavam o regime da altura e fazem hoje parte da coleção do dono da livraria. Foi interessante ver que um número considerável deles eram relativos ao feminismo e aos direitos das mulheres...

 

24
Abr19

Cápsula do Tempo

Rita

Eliete - Dulce Maria Cardoso

 

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Esta é a história de Eliete, 40 e poucos anos, agente imobiliária, casada e mãe de duas jovens adultas. Estamos em Cascais no ano de 2016. No início do livro acompanhamos o crescimento da protagonista e alguns episódios normais de uma vida banal. No entanto, pequenas coisas começam a mudar na vida de Eliete. Como tantas vezes na vida, estes pequenos acontecimentos despoletam grandes mudanças de rumo. A vida de Eliete começa a mudar e nós vamos acompanhando essa viagem. A Eliete que conhecemos no início do livro é muito diferente da que encontramos quando o livro chega ao fim.

 

Não me parece que tenha sido a intenção da autora criar uma cápsula do tempo do que foi o ano de 2016.  No entanto, se alguma vez quisermos reviver o que foi esta altura, este livro é perfeito. Não é pelos apontamentos temporais engraçados (o marido da Eliete a desaparecer para ir caçar Pokémons... ) mas muito mais porque a autora conseguiu capturar o sentimento que prevalecia no país então.

 

Concordando ou não com as escolhas de Eliete, é impossível parar de ler acerca desta estranha viagem de auto-descoberta. 

 

A Eliete regressa no fim do ano para o segundo volume desta história. Espero ansiosamente para ver que caminhos esta família vai trilhar...

 

Ofereceria este livro a: todos os meus antigos alunos.*

* Há uma centena de anos atrás dei aulas de Português Língua Estrangeira num outro país europeu. Os meus alunos eram adultos que tinham decidido aprender a nossa lingua por um milhão de motivos diferentes. Muitos pediam-me recomendações de livros portugueses contemporâneos. Gostava que este livro já tivesse sido escrito então. Teria-o posto na mão de cada um deles.

18
Abr19

A Casa dos Livros Já Lidos

Rita

Livraria Déjà Lu - Cascais

 

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(via Time Out)

 

Uma amiga falou-me desta livraria muito especial no ano passado.  Está situada em Cascais e é gerida por voluntários da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21. 100% das receitas arrecadadas com a venda dos livros revertem para a associação. Quis apoiar o conceito e por isso, no Outono passado, aproveitei um passeio de fim de semana para ir dar uma espreitadela...

 

Como todas as pessoas que gostam de ler, adoro livrarias. Gosto especialmente de livrarias pequenas, de bairro. Assim que entrei dentro desta, senti-me como que em casa. É um espaço como todos os leitores sonham. Salas aconchegantes cheias de livros, uma decoração original e  recomendações interessantes 

 

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(via Tripadvisor)

 

Este sábado voltei à Déjà Lu. Como das outras vezes, perdi-me nas várias salas, descobri novos livros e entreguei livros que foram muito acarinhados cá em casa. Sinto-me muito feliz por esta ser agora a sua nova casa.